A poesia é o mel das palavras - Manoel de Barros
 


O mato

Veio o vento frio, e depois o temporal noturno, e depois da lenta chuva que passou toda a manhã caindo e ainda voltou algumas vezes durante o dia, a cidade entardeceu em brumas. Então o homem esqueceu o trabalho e as promissórias, esqueceu a condução e o telefone e o asfalto, e saiu andando lentamente por aquele morro coberto de um mato viçoso, perto de sua casa. O capim cheio de água molhava seu sapato e as pernas da calça; o mato escurecia sem vagalumes nem grilos.

Pôs a mão no tronco de uma árvore pequena, sacudiu um pouco, e recebeu nos cabelos e na cara as gotas de água como se fosse uma bênção. Ali perto mesmo a cidade murmurava, estalava com seus ruídos vespertinos, ranger de bondes, buzinar impaciente de carros, vozes indistintas; mas ele via apenas algumas árvores, um canto de mato, uma pedra escura. Ali perto, dentro de uma casa fechada, um telefone batia, silenciava, batia outra vez, interminável, paciente, melancólico. Alguém com certeza já sem esperança, insistia em querer falar com alguém.

Por um instante, o homem voltou seu pensamento para a cidade e sua vida. Aquele telefone tocando em vão era um dos milhões de atos falhados da vida urbana. Pensou no desgaste nervoso dessa vida, nos desencontros, nas incertezas, no jogo de ambições e vaidades, na procura de amor e de importância, na caça ao dinheiro e aos prazeres. Ainda bem que de todas as grandes cidades do mundo o Rio é a única a permitir a evasão fácil para o mar e a floresta. Ele estava ali num desses limites entre a cidade dos homens e a natureza pura; ainda pensava em seus problemas urbanos — mas um camaleão correu de súbito, um passarinho piou triste em algum ramo, e o homem ficou atento àquela humilde vida animal e também à vida silenciosa e úmida das árvores, e à pedra escura, com sua pele de musgo e seu misterioso coração mineral.

E pouco a pouco ele foi sentindo uma paz naquele começo de escuridão, sentiu vontade de deitar e dormir entre a erva úmida, de se tornar um confuso ser vegetal, num grande sossego, farto de terra e de água; ficaria verde, emitiria raízes e folhas, seu tronco seria um tronco escuro, grosso, seus ramos formariam copa densa, e ele seria, sem angústia nem amor; sem desejo nem tristeza, fone, quieto, imóvel, feliz.

 

RUBEM BRAGA



 Escrito por Profa Natalia às 17h05
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 Escrito por Profa Natalia às 16h24
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AS MÃOS DE MEU PAI

As tuas mãos tem grossas veias como cordas azuis
sobre um fundo de manchas já de cor de terra
- como são belas as tuas mãos
pelo quanto lidaram, acariciaram ou fremiram da
nobre cólera dos justos.
Porque há nas tuas mãos, meu velho pai, essa beleza
que se chama simplesmente vida.
E, ao entardecer, quando elas repousam nos braços
da tua cadeira predileta,
uma luz parece vir de dentro delas...
Virá dessa chama que pouco a pouco, longamente,
vieste alimentando na terrível solidão do mundo,
como quem junta uns gravetos e tenta acendê-los
contra o vento?
Ah! Como os fizeste arder, fulgir, com o milagre das
tuas mãos!
E é, ainda, a vida que transfigura das tuas mãos nodosas...
essa chama de vida – que transcende a própria vida
...e que os Anjos, um dia, chamarão de alma.
Mario Quintana



 Escrito por Profa Natalia às 16h23
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O Pavão

Rubem Braga

 

Eu considerei a glória de um pavão ostentando o esplendor de suas cores; é um luxo imperial. Mas andei lendo livros, e descobri que aquelas cores todas não existem na pena do pavão. Não há pigmentos. O que há são minúsculas bolhas d'água em que a luz se fragmenta, como em um prisma. O pavão é um arco-íris de plumas.

Eu considerei que este é o luxo do grande artista, atingir o máximo de matizes com o mínimo de elementos. De água e luz ele faz seu esplendor; seu grande mistério é a simplicidade.

Considerei, por fim, que assim é o amor, oh! minha amada; de tudo que ele suscita e esplende e estremece e delira em mim existem apenas meus olhos recebendo a luz de teu olhar. Ele me cobre de glórias e me faz magnífico.

Rio, novembro, 1958

Do livro "Ai de ti, Copacabana", Editora do Autor - Rio de Janeiro, 1960, pág. 149. 



 Escrito por Profa Natalia às 16h32
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Com licença poética

Quando nasci um anjo esbelto,
desses que tocam trombeta, anunciou:
vai carregar bandeira.
Cargo muito pesado pra mulher,
esta espécie ainda envergonhada.
Aceito os subterfúgios que me cabem,
sem precisar mentir.
Não sou tão feia que não possa casar,
acho o Rio de Janeiro uma beleza e
ora sim, ora não, creio em parto sem dor.
Mas o que sinto escrevo. Cumpro a sina.
Inauguro linhagens, fundo reinos
– dor não é amargura.
Minha tristeza não tem pedigree,
já a minha vontade de alegria,
sua raiz vai ao meu mil avô.
Vai ser coxo na vida é maldição pra homem.
Mulher é desdobrável. Eu sou.

Adélia Prado



 Escrito por Profa Natalia às 17h38
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Leituras para antes e depois do Carnaval...

 

E agora sejamos Pierrots, Arlequins e Colombinas neste pedacinho colorido do ano. Muitos confetes a todos!

 

A Senhora quer sambar

 

— Geneci...

— Senhora?

— Preciso falar com você.

— O que foi? O almoço não estava bom?

— O almoço estava ótimo. Não é isso. Precisamos conversar.

— Aqui na cozinha?

— Aqui mesmo. O seu patrão não pode ouvir.

— Sim, senhora.

— Você...

— Foi o copo que eu quebrei?

— Quer ficar quieta e me escutar?

— Sim, senhora.

— Não foi o copo. Você vai sair na escola, certo?

— Vou, sim senhora. Mas se a senhora quiser que eu venha na Terça...

— Não é isso, Geneci!

— Desculpe.

— É que eu... Geneci, eu queria sair na sua escola.

— Mas...

— Ou fazer alguma coisa. Qualquer coisa. Não agüento ficar fora do Carnaval.

— Mas...

— Vocês não têm, sei lá, uma ala das patroas? Qualquer coisa.

— Se a senhora tivesse me falado antes...

— Eu sei. Agora é tarde. Para a fantasia e tudo o mais. Mas eu improviso uma baiana. Deusa grega, que é só um lençol.

— Não sei...

— Saio na bateria. Empurrando alegoria.

— Olhe que não é fácil...

— Eu sei. Mas eu quero participar. Eu até sambo direitinho. Você nunca me viu sambar? Nos bailes do clube, por exemplo. Toca um samba e lá vou eu. Até acho que tenho um pé na cozinha. Quer dizer. Desculpe.

— Tudo bem.

— Eu também sou povo, Geneci! Quando vejo uma escola passar, fico toda arrepiada.

— Mas a senhora pode assistir.

— Mas eu quero participar, você não entende? No meio da massa. Sentir o que o povo sente. Vibrar, cantar, pular, suar.

— Olhe...

— Por que só vocês podem ser povo? Eu também tenho direito.

— Não sei...

— Se precisar pagar, eu pago.

— Não é isso. É que...

— Está bem. Olhe aqui. Não preciso nem sair na avenida. Posso costurar. Ajudar a organizar o pessoal. Ajudar no transporte. O Alfa Romeo está aí mesmo. Tem a Caravan, se o patrão não der falta. É a emoção de participar que me interessa, entende? Poder dizer "a minha escola...". Eu teria assunto para o resto do ano. Minhas amigas ficariam loucas de inveja. Alguns iam torcer o nariz, claro. Mas eu não sou assim. Eu sou legal. Eu não sou legal com você, Geneci? Sempre tratei você de igual para igual.

— Tratou, sim senhora.

— Meu Deus, a ama-de-leite da minha mãe era preta!

— Sim, senhora.

— Geneci, é um favor que você me faz. Em nome da nossa velha amizade. Faço qualquer coisa pela nossa escola, Geneci.

— Bom, se a senhora está mesmo disposta...

— Qualquer coisa, Geneci.

— É que o Rudinei e Fátima Araci não têm com quem ficar.

— Quem?

— Minhas crianças.

— Ah.

— Se a senhora pudesse ficar com eles enquanto eu desfilo...

— Certo. Bom. Vou pensar. Depois a gente vê.

— Eu posso trazer elas e...

— Já disse que vou pensar, Geneci. Sirva o cafezinho na sala.

Luis Fernando Veríssimo.

 

 

Depois do Carnaval

Terminado o Carnaval, eis que nos encontramos com os seus melancólicos despojos: pelas ruas desertas, os pavilhões, arquibancadas e passarelas são uns tristes esqueletos de madeira; oscilam no ar farrapos de ornamentos sem sentido, magros, amarelos e encarnados, batidos pelo vento, enrodilhados em suas cordas; torres coloridas, como desmesurados brinquedos, sustentam-se de pé, intrusas, anômalas, entre as árvores e os postes. Acabou-se o artifício, desmanchou-se a mágica, volta-se à realidade.

À chamada realidade. Pois, por detrás disto que aparentamos ser, leva cada um de nós a preocupação de um desejo oculto, de uma vocação ou de um capricho que apenas o Carnaval permite que se manifestem com toda a sua força, por um ano inteiro contida.

Somos um povo muito variado e mesmo contraditório: o que para alguns parecerá defeito é, para outros, encanto. Quem diria que tantas pessoas bem comportadas, e aparentemente elegantes e finas, alimentam, durante trezentos dias do ano, o modesto sonho de serem ursos, macacos, onças, gatos e outros bichos? Quem diria que há tantas vocações para índios e escravas gregas, neste país de letrados e de liberdade?

Por outro lado, neste chamado país subdesenvolvido, quem poderia imaginar que há tantos reis e imperadores, princesas das Mil e Uma Noites, soberanos fantásticos, banhados em esplendores que, se não são propriamente das minas de Golconda, resultam, afinal, mais caros: pois se as gemas verdadeiras têm valor por toda a vida, estas, de preço não desprezível, se destinam a durar somente algumas horas.

Neste país tão avançado e liberal — segundo dizem — há milhares de corações imperiais, milhares de sonhos profundamente comprimidos mas que explodem, no Carnaval, com suas anquinhas e casacas, cartolas e coroas, mantos roçagantes (espanejemos o adjetivo), cetros, luvas e outros acessórios.

Aliás, em matéria de reinados, vamos do Rei do Chumbo ao da Voz, passando pelo dos Cabritos e dos Parafusos: como se pode ver no catálogo telefônico. Temos impérios vários, príncipes, imperatrizes, princesas, em etiquetas de roupa e em rótulos de bebidas. É o nosso sonho de grandeza, a nossa compensação, a valorização que damos aos nossos próprios méritos...

Mas, agora que o Carnaval passou, que vamos fazer de tantos quilos de miçangas, de tantos olhos faraônicos, de tantas coroas superpostas, de tantas plumas, leques, sombrinhas...?

"Ved de quán poco valor

Son las cosas tras que andamos

Y corremos...", dizia Jorge Manrique. E no século XV! E falando de coisas de verdade! Mas os homens gostam da ilusão. E já vão preparar o próximo Carnaval...

 

Cecília Meireles. Quatro Vozes, Editora Record - Rio de Janeiro, 1998

 



 Escrito por Profa Natalia às 16h54
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POESIAS COM MÁRIO QUINTANA!!!

 

Um bom poema é aquele que nos dá a impressão
de que está lendo a gente ... e não a gente a ele!

Mario Quintana - A vaca e o hipogrifo

 

CARTAZ PARA UMA FEIRA DO LIVRO

Os verdadeiros analfabetos são os que aprenderam a ler e não leem.

Mario Quintana - Caderno H

 

SIMULTANEIDADE

- Eu amo o mundo! Eu detesto o mundo! Eu creio em Deus! Deus é um absurdo! Eu vou me matar! Eu quero viver!
- Você é louco?
- Não, sou poeta.

Mario Quintana - A vaca e o hipogrifo

 

OS POEMAS

Os poemas são pássaros que chegam
não se sabe de onde e pousam
no livro que lês.
Quando fechas o livro, eles alçam voo
como de um alçapão.
Eles não têm pouso
nem porto;
alimentam-se um instante em cada
par de mãos e partem.
E olhas, então, essas tuas mãos vazias,
no maravilhado espanto de saberes
que o alimento deles já estava em ti...
Mario Quintana - Esconderijos do Tempo

 

A ARTE DE LER

O leitor que mais admiro é aquele que não chegou até a presente linha. Neste momento já interrompeu a leitura e está continuando a viagem por conta própria.

Mario Quintana - Caderno H



 Escrito por Profa Natalia às 17h04
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"para todos aqueles que gostam de uma boa poesia e, principalmente, para os alunos dos 9º anos. Aí vai a opinião de Drummond sobre escrever poesia nos dias de hoje..."

 

O sobrevivente

 

Impossível compor um poema a esta altura da evolução da humanidade
Impossível escrever um poema – uma linha que seja – de verdadeira poesia
O último trovador morreu em 1914.
Tinha um nome de que ninguém se lembra mais.
Há máquinas terrivelmente complicadas para as necessidades mais simples.
Se quer fumar um charuto aperte um botão.
Paletós abotoam-se por eletricidade.
Amor se faz pelo sem-fio.
Não precisa estômago para digestão.

Os homens não melhoraram
e matam-se como percevejos.
Os percevejos heróicos renascem.
Inabitável, o mundo é cada vez mais habitado.
E se os olhos reaprendessem a chorar seria um segundo dilúvio.
(Desconfio que escrevi um poema)

 

 

Contudo, é inevitável... (rs) ABRAÇOS!

 



 Escrito por Profa Natalia às 10h19
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PARA REFLETIR...

Subir pelo lado que desce – Lya Luft

 

Viver é subir uma escada rolante pelo lado que desce.  Ouvindo esta frase, imaginei qualquer pessoa nessa acrobacia que as crianças fazem ou tentam fazer: escalar aqueles degraus que nos puxam inexoravelmente para baixo. Perigo, loucura, inocência, ou uma boa metáfora do que fazemos diariamente?  Poucas vezes me deram um símbolo tão adequado para a vida, sobretudo naqueles períodos difíceis em que até pensar em sair da cama dá vontade de desistir. Tudo o que quereríamos era taparmos a cabeça e dormirmos, sem pensarmos em nada, fingindo que não estamos nem aí…  Porque Tanatos, isto é, a voz do poço e da morte, nos convoca a cada minuto para que, enfim, nos entreguemos e acomodemos. Só que acomodar-se é abrir a porta a tudo aquilo que nos faz cúmplices do negativo. Descansaremos, sim, mas tornando-nos filhos do tédio e amantes da pusilanimidade, personagens do teatro daqueles que constantemente desperdiçam os seus próprios talentos e dificultam a vida dos outros.  E o desperdício da nossa vida, talentos e oportunidades é o único débito que no final não se poderá saldar: estaremos no arquivo-morto. Não que não tenhamos vontade ou motivos para desistir: corrupção, violência, drogas, doença, problemas no emprego, dramas na família, buracos na alma, solidão no casamento a que também nos acomodamos… tudo isso nos sufoca. Sobretudo, se pertencermos ao grupo cujo lema é: Pensar, nem pensar… e a vida que se lixe.  A escada rolante chama-nos para o fundo: não dou mais um passo, não luto, não me sacrifico mais. Para quê mudar, se a maior parte das pessoas nem pensa nisso e vive da mesma maneira, e da mesma maneira vai morrer? Não vive (nem morrerá) da mesma maneira. Porque só nessa batalha consigo mesmo, percebendo engodos e superando barreiras, podemos também saborear a vida. Que até nos surpreende quando não se esperava, oferecendo-nos novos caminhos e novos desafios.  Mesmo que pareça quase uma condenação, a idéia de que viver é subir uma escada rolante pelo lado que desce é que nos permite sentir que afinal não somos assim tão insignificantes e tão incapazes.  Então, vamos à escada rolante: aqui e ali até conseguimos saltar degraus de dois em dois, como quando éramos crianças e muito mais livres, mais ousados e mais interessantes.  E porque não? Na pior das hipóteses, caímos, magoamo-nos por dentro e por fora, e podemos ainda uma vez… recomeçar.

 



 Escrito por Profa Natalia às 17h03
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Olá pessoal, espero que todos tenham tido ótimas férias e descansado bastante para encarar este novo ano de estudos que se inicia...  

 

Já estamos prontos para recebê-los e ansiosos para conhecer os alunos novos. 

 

E por falar em escola, vamos verificar por que em VOLTA ÀS AULAS ocorre crase?

 

A palavra crase vem do grego krasis, isto é, “fusão, mistura”.

Nesse caso, crase é a fusão de dois aa, ou aas, com a finalidade de evitar uma pronúncia desarmoniosa. Assim, em vez de dizer: “Volta a as aulas”, onde a preposição a e o artigo as formariam um hiato, faz-se a contração desses as, evitando a repetição de duas vogais idênticas: aa.  Essa fusão é marcada pelo acento grave (`).

Super fácil, não?

Beijocas e saudades!!!



 Escrito por Profa Natalia às 13h58
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METRÔS DE FUTILIDADE

 

Eram duas as jovens do metrô. Jovens, porque careciam de muita experiência para serem chamadas de mulher. Uma terceira, a negra que apenas mirava, mais nova que as outras, mas os olhos já revelavam sofrimentos bastantes.

O assunto era o emprego que uma delas acabara de perder. Falava enquanto se maquiava para uma festa. A cara estava cheia de espinhas. De um em um, começou a sacar de uma bolsinha os instrumentos de que necessitava. E como eram necessários!

Primeiro o pó compacto, esfregava, esfregava como se estivesse trocando a pele pálida que tinha. Falava da injustiça que lhe acometera. A negra observava tristemente, enquanto ouvia o custo dos apetrechos. Provavelmente custavam mais do que o pacote de arroz de que necessitava para sobreviver.

E elas continuavam o assunto. Uma ouvia e a outra falava, refazendo-se com o lápis, o rímel de trinta e cinco reais e a sombra. Nem percebia que atrás daquela máscara ela se escondia. A outra que a acompanhava já estava pronta. Um pouco fosca, talvez fosse a qualidade de seus instrumentos.

A negra ficava atenta, embora seus olhos aparentassem cansaço. Não há necessidade de máscaras, sua pele é viva o bastante, é gritante, é reveladora, é histórica. Já a mascarada tinha medo de sua palidez.

Por último usou o blush. Pincelou com veemência o cor-de-rosa no rosto e disse para outra:

--- Passe um pouco, você está sem vida!

O trem parou, a negra deu as costas. Mascaradas ou não, elas certamente não sabiam o que era viver.

 

08/05/2010



 Escrito por Profa Natalia às 11h15
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Canção na Plenitude

Não tenho mais os olhos de menina
nem corpo adolescente, e a pele
translúcida há muito se manchou.
Há rugas onde havia sedas, sou uma estrutura
agrandada pelos anos e o peso dos fardos
bons ou ruins.
(Carreguei muitos com gosto e alguns com rebeldia.)

O que te posso dar é mais que tudo
o que perdi: dou-te os meus ganhos.
A maturidade que consegue rir
quando em outros tempos choraria,
busca te agradar
quando antigamente quereria
apenas ser amada.
Posso dar-te muito mais do que beleza
e juventude agora: esses dourados anos
me ensinaram a amar melhor, com mais paciência
e não menos ardor, a entender-te
se precisas, a aguardar-te quando vais,
a dar-te regaço de amante e colo de amiga,
e sobretudo força — que vem do aprendizado.
Isso posso te dar: um mar antigo e confiável
cujas marés — mesmo se fogem — retornam,
cujas correntes ocultas não levam destroços
mas o sonho interminável das sereias.


Lya Luft: do livro "Secreta Mirada", Editora Mandarim - São Paulo, 1997, pág. 151.



 Escrito por Profa Natalia às 17h26
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Poema tirado de uma notícia de jornal

 

A escola de samba Padre Paulo desfilou às 5 horas e 20 minutos da manhã, com as alas: “O amor”, “O fogo da paixão”.

E encerrou com o tema “São tantas... Emoções”.

Cantaram

Dançaram

Sambaram

Depois de muito trabalho conquistaram o primeiro lugar.

                                                                      

                                                                       Anna Caroline, 8º ano A

 

 

 



 Escrito por Profa Natalia às 18h32
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Produção Textual – Poemas 6° ano B

 

Paz

 

Paz é a união de amigos

É um bem misericordioso

É respeitar a todos

Paz é silenciar

É ter calma, quando há desespero

É estar livre das lições de casa aos sábados

Paz é felicidade

 

Leonardo, Lucas, Matheus Vale, Aedler, Marcelo, Vinicius, Gabriel, Rodrigo, Tarcísio e Lucas C.

 

Escola

 

A escola é um momento de paz

Marca uma fase da vida: a do aprendizado

Aprender a ler, a escrever, a respeitar...

Conquistar a inteligência: isso é sensacional

 

Willy, Gustavo, Letícia, Flávia, Bianca e Caio

 

Respeito

 

Que pena!

O respeito do mundo está cada vez menor...

Para se ter o respeito, deve-se respeitar

Isso é reciprocidade

Quem respeita e aceita saberá educar

Seja lá qual for a idade

O respeito é para a vida toda...

Façamos um futuro melhor

 

Gabriel, Matheus Coelho, Edilaine, Raffaela, Mariana, Matheus Henrique, e Lorena

 

Amizade

 

É algo que nós não levamos na bolsa

Mas no coração, a amizade é assim:

Toma conta de todos nós...

Com meus amigos sempre vou estar

E sua companhia preservar

Amizade é família

Amizade é 10

 

Guilherme, Yasmin, Isabella, Nathália, Thaiane, Leonel e Nathaly



 Escrito por Profa Natalia às 15h56
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"SE A ÚNICA COISA DE QUE O HOMEM TERÁ CERTEZA É A MORTE; A ÚNICA CERTEZA DO BRASILEIRO É O CARNAVAL NO PRÓXIMO ANO." Liberdade, Graciliano Ramos

 

Juízo a todos e bom carnaval!



 Escrito por Profa Natalia às 17h05
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